A arte de tornar-se líder:
os múltiplos desafios na gestão de pessoas
Prof. Dirceu Moreira publicado na revista direcional educador
Uma reflexão sobre o desenvolvimento da liderança como um processo consciente e progressivo. Neste texto, o autor apresenta os caminhos que conduzem da dependência à autonomia, destacando o papel do aprendizado, das relações e da construção interna na formação de líderes — não como uma posição, mas como uma jornada.
Uma das maiores crises que se vive nesse alvorecer de Terceiro Milênio é a ausência da autêntica liderança. Antonio Celente Videira- escritor -Cel. Int. R1 Aer.
Para tratarmos de um dos assuntos mais discutidos em todos os tempos, vou basear todo esse trabalho em uma frase do ”. Prof. Henrique José de Souza (Salvador-Ba -1883-1963), escritor, filósofo, líder espiritual, músico, polígrafo, poliglota, tradutor, e educador). que esta sintetizado no diagrama abaixo. “O Mestre aponta o caminho, o discípulo segue sozinho até encontrar novamente o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo”.
O professor precisa estar consciente de que é um líder em tempo integral na sala de aula. Ele é também o mestre que conduz seus alunos do processo da dependência para autonomia em relação ao ensino e aprendizagem e avança do ensino infantil para o fundamental e médio e adentra no 3º grau. A educação o capacita para seguir o seu próprio caminho.
O professor poderá utilizar-se do diagrama ao lado para facilitar seu conhecimento sobre os obstáculos que se defrontará ao longo do caminho de iniciador de seres humanos.
O líder deverá perceber este processo acontecendo primeiramente consigo mesmo.
- Apontar é ter objetivos claros.
- Seguir é perseverar na busca dos resultados.
- Encontrar são os resultados de suas ações.
- Despertar é perceber a ampliação pela experiência.
No final desta fase o líder se defronta com um mundo bipolar, de adversidade na diversidade de situações do dia-a-dia, mas muito mais do que isso o mestre tem que estar consciente de suas qualidades e dos seus defeitos. Reforçar as qualidades e transformar os defeitos como um alquimista. Este mestre alcançou a autonomia e agora se defronta com sua própria consciência superior.
O primeiro passo deste novo estado de consciência do líder é a (5) transformação pela aceitação dos seus próprios conteúdos a serem melhorados. É a fase da lagarta que se interioriza rumo à trans+forma+ação.
O segundo momento, e uma vez voltado para si mesmo, se processa a (6) superação: ser a cada dia melhor do que fora no dia anterior. Isto é muito diferente da competição que é ser melhor do que o outro. O líder nesta fase reconhece que só pode ser melhor do que ele mesmo, assim estará preparado para fase final que é a (7) transcendência, ou seja, ir além. Isto ocorrerá toda vez que ele se deparar com uma situação problema que vai exigir que percorra novamente os sete passos neste diagrama.
Façamos uma reflexão sobre estes sete passos na relação professor-aluno.
- APONTAR é indicar, mostrar o caminho que é muito diferente de determinar cuja ação potencializadora do verbo cerceia a autonomia do seu aluno. Nas fases iniciais do ensino a arte de apontar caminho pode significar inclusive em conduzir o aluno para certo estágio de aprendizagem. Às vezes terá que supervisionar até 90% das atividades, por uma simples questão: limites, consciência ou maturidade do aluno. Este mesmo papel pode ser percebido nas relações com os pais. Muitas vezes será preciso pegar nas mãos, mas alguns tombos ou erros são essenciais na aprendizagem. O líder não critica o desempenho do seu aluno, mas sim o facilitará a seguir o próximo passo. Quantas vezes o professor não teve que chamar a atenção de seus alunos para os afazeres. A criança é vida energia e ainda não está totalmente conectada com a realidade e responsabilidades e isso irá se dando gradativamente.
SEGUIR é acreditar na competência da criança e do jovem de iniciar sua própria caminhada. O seguir é mais do aluno do que seu mestre, porque este vai reduzindo o seu ato de apontar, corrigir, indicar para que o aluno se perceba cada vez mais como um ser autônomo. O professor poderá perceber isso na realização das tarefas de casa e principalmente se são os pais estão fazendo as atividades por seus filhos
O mestre vai apenas seguir os passos dos seus alunos ficando atento cada vez mais para interferir cada vez menos, sem jamais abandonar. Se precisar retome a arte de apontar caminho que é o mesmo que estabelecer limites e disciplina, sempre conforme a maturidade da criança. Filhos até podem seguir caminhos que foram apontados por seus pais ou mestre, mas poderão fazer novos caminhos, porque não nasceram sobre um trilho. Saber reconhecer estes novos rumos é sinal de maturidade do líder no reconhecimento do auto crescimento de seus liderados.
- ENCONTRAR é a certeza de que o mestre estará por perto nos momentos de suas necessidades, porem vai aprendendo com este mesmo mestre, que ele nem sempre estará disponível, mas que ele pode tentar e não importa os erros, pois nestes estão contidos a chave dos acertos. Esta percepção tem início a partir dos 7 anos quando a criança começar a sair da vida imaginativa para o real. A filosofia para crianças é uma boa ferramenta para este despertar este encontro. É preciso ter o cuidado de não exagerar nas atribuições de responsabilidades para a criança. Haveremos de respeitar um estado de prontidão não apenas físico, mas também psicomental. As crianças e jovens ensaiam o “encontrar” novos caminhos, já nos primeiros anos de vida. O primeiro é a ruptura para a vida, o segundo por volta dos 3 anos, aos 7, 14 e 21 na sua maioridade. O educador acompanha passo a passo estas mudanças e como líder tem que estar atento e de olhos e ouvidos muito alertas para compreender o que se passa nestas e em outras fases do desenvolvimento.
DENTRO DE SI MESMO: é despertar o grande momento da vida de um aprendiz, porque este encontro se dá consigo mesmo, conforme podemos deduzir da frase de Henrique José de Souza. É o despertar para as responsabilidades para com os estudos e disciplina e, isto fica muito nítido principalmente quando há uma cumplicidade dos pais na co-responsabilidade do processo ensino e aprendizagem. O despertar é assumir responsabilidades cada vez mais complexas e a capacidade de resolvê-las produz o potencializar da inteligência. Ninguém melhor do que líder e, portanto observador e conhecedor do ser humano para perceber este despertar em seus alunos e estimula-los a ter suas próprias opiniões. Um líder não teme a inteligência do outro, ao contrário, ele a estimula. Se um liderado tornar-se superior ao seu líder, é porque somente os grandes líderes de elevado estado de consciência podem conseguir tais resultados. Daqui para frente o liderado assume condições de tornar-se auto-tutor, ser o seu próprio líder, percorrer os quatro caminhos da iniciação citados acima. Assim estará se preparando para ser um líder.
Depois do despertar, dá-se o TRANSFORMAR, resultado da potencialização das competências que aluno adquiriu nas quatro fases anteriores para poder drenar e transpor o mais difícil de todos os caminhos: o pântano de suas emoções. Será preciso muita astúcia e estratégias para colher a flor do lótus de brancura imaculada que brota no lodo de suas emoções.
A seguir o SUPERAR que torna o discípulo cada vez mais competente como líder de seus próprios destinos, pois, somente assim estará preparado para que possa liderar e conduzir pessoas da dependência para a autonomia ou seja: transformação da vida energia em vida consciência. Quando o líder se superar vencendo os obstáculos do item cinco, não precisa mais competir, porque terá compreendido que ninguém pode vencer o outro a não ser a si mesmo.
- O ato de TRANSCENDER é ir além consistindo em buscar o que há de mais nobre dentro do seu ser que é o amor sabedoria, para que assim possa fazer o mesmo em relação aos seus liderados.
- O OITAVO PRINCIPIO, resume-se na competência do líder em unificar as se etapas anteriores e fazer uso delas em diferentes momentos de sua vida em relação aos seus alunos e isto se chama estratégia. O caminhar destas três ultimas fases é um trabalho de parceria entre o professor e o aluno, porque neste momento o aluno deverá ter atingido um estado de maturidade no intercambio de seu aprendizado com seus professores desde o pré até a universidade. Da lagarta ao casulo e, dele à borboleta. Se isto não aconteceu e, ainda existe dependência, então será necessária uma reflexão de todo processo de ensino e aprendizagem, envolvendo os pais, alunos, escola e sociedade. Se a escola se propõe a formar cidadãos pensantes e, se isso não estiver ocorrendo é porque algo está impedindo-a de cumprir seu papel. Para nos prevenirmos dos ataques de determinados tipos de lideranças cito Rui Barbosa Salvador – Ba, 1849-1923: “Há tantos homens burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência”.
O OITAVO PRINCIPIO, resume-se na competência do líder em unificar as se etapas anteriores e fazer uso delas em diferentes momentos de sua vida em relação aos seus alunos e isto se chama estratégia. O caminhar destas três ultimas fases é um trabalho de parceria entre o professor e o aluno, porque neste momento o aluno deverá ter atingido um estado de maturidade no intercambio de seu aprendizado com seus professores desde o pré até a universidade. Da lagarta ao casulo e, dele à borboleta. Se isto não aconteceu e, ainda existe dependência, então será necessária uma reflexão de todo processo de ensino e aprendizagem, envolvendo os pais, alunos, escola e sociedade. Se a escola se propõe a formar cidadãos pensantes e, se isso não estiver ocorrendo é porque algo está impedindo-a de cumprir seu papel. Para nos prevenirmos dos ataques de determinados tipos de lideranças cito Rui Barbosa Salvador – Ba, 1849-1923: “Há tantos homens burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência”.
O quadro ao lado sintetiza a proposta deste artigo e conforme diz Jean Piaget existem três caminhos que se coadunam com o exposto acima.
ANOMIA: é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. Émile Durkheim (1858 – 1917-sociólogo). O termo anomia significa: a=ausênica, falta e nomos=lei, norma. É a dependência ao mestre ao líder ao gestor de pessoas, conforme afirmamos anteriormente.
HETERONOMIA: significa as leis que recebemos. Ao contrário de autonomia, consiste na sujeição do individuo à vontade de terceiros ou de uma coletividade. Emanuel Kant (1724-1804-filosofia transcendental). A palavra heteronomia vem do grego: heteros (diversos) + nomos (regras). Essa sujeição às leis nos sinaliza que o individuo toma contato com a realidade dos fatos e,portanto caberá a ele compreendê-las primeiro para depois atuar dentro do sistema social.
AUTONOMIA: Filosoficamente falando, o conceito de autonomia confunde-se com o de liberdade, consistindo na qualidade de um indivíduo de tomar suas próprias decisões, com base em sua razão individual. Palavra de origem grega: autos= por si só, mais nomós= que pode ser duas coisas, lei, e ao mesmo tempo, significa também território. Educacional e organizacionalmente falando, poderíamos numa breve analogia fazer a seguinte comparação:
- ANOMIA X PEDAGOGIA já que esta é a arte de ensinar as crianças onde há um considerável grau de dependência.
- HETERONOMIA X ANDRAGOGIA, esta como a arte de ensinar o adulto (adolescentes Eja) que já pode seguir sozinho ou com supervisão. Depois a
- AUTONOMIA X HEUTAGOGIA, esta como a arte do autodidatismo, com maturidade e autonomia para seguir seus objetivos.
Claro que uma quarta coisa dará um equilíbrio entre os três, situando o ser humano no centro: A ONTAGOGIA, a pedagogia do SER.
Quem estiver buscando a autonomia deverá estar consciente, de que, ao atingi-la, estará tornando-se dependente de outros para continuar sua autonomia: o paradoxo da liberdade! Não, realidade mesmo. Da mesma forma o discípulo, aluno, liderado que adentrou ao caminho apontado pelo mestre, chega num ponto em que é responsável pelos seus próprios atos e, portanto, de outras pessoas também.
Professor, educador, mestre, líder, gestor de pessoas, pouco importa o nome, deve ter claro que ao longo deste caminho três coisas estarão sempre presentes:
- o alvo de onde se quer chegar,
- a motivação expressa através da força de vontade de cada e também coletivamente,
- os obstáculos, que exigem trabalho de equipe sempre valorizando as competências individuais e reforçando as positivamente. Somente assim terá contribuído para mudança do estado de consciência de seus alunos ou liderados.
Prof. Dirceu Moreira – Psicólogo, psicoterapeuta, pedagogo, Dr. honoris causa em psicologia das relações humanas, palestrante, consultor em potenciais humanos na educação e RH, autor de 20 livros.
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